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O parto em São Bernardo

  • 6 de jul. de 2016
  • 2 min de leitura


Naquela tarde não tinha chuva nem vento que adiantasse o parto, mas o bebê estava quieto demais na barriga de Francisquinha, era o quinto filho indesejado, parecia uma lenda africana em São Bernardo do Campo. Ela esperava sua mãe e sua tesoura como nos outros partos...

A jovem mãe podia ter abortado o filho, mas era muito beata para isso, só Deus pode tirar a vida. Ela tinha herdado da mãe: a arte cultivar as ervas; o poder de benzer bichos, plantações e pessoas; as rezas que fecham os corpos e abrem os caminhos...

Ela casou criança sem querer e sem pestanejar para livrar-se da maldição de ver espíritos, transportar objetos com a força do pensamento, ter revelações nos sonhos, materializar coisas com ovos, pairar no ar dormindo, bilocação, dejavu, premonição, viagem astral... Casamento humilde que o Criador não aceitou para transmitir a herança paranormal.

Dona Severa estava atrasada, pois Sergipe era longe para São Paulo, mesmo de jipe.

A bolsa rompeu e Francisquinha começou a gritar:

- Mais uns minutos, meu filho, você não pode nascer sem minha mãe... Mãe onde você está?

Será que Deus abandonou a jovem mãe? Será que tudo era imaginação? Será que o tempo parou? Era o fim ou um novo principio?

A criança nasceu com o pescoço enrolado com o cordão umbilical, roxo, roxinho, sem ar, sem vida, nas mãos e no choque de sua mãe.

Dona Severa surgiu em paz e cortou o cordão, não disse nada e colocou o neto na pedra da pia e disse:

- E do que vamos cuidar agora...

Surgiu uma borboleta vermelha e pousou sobre o bebê, bateu suas asas, a criança tossiu e chorou, a borboleta voo e o tempo voltou...


 
 
 

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