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Outro calor

  • 16 de ago. de 2016
  • 1 min de leitura


...Chamou a atenção de dois meninos que discutiam, um adolescente o chamou de longe e o cumprimentou, quando percebeu, uma menininha o abraçou. Abaixou os olhos em direção à criança e levou a mão para acariciar sua cabeça. Olhou a própria mão. Olhando seus dedos, voltou no tempo. Sua mão estava viscosa, os dedos cheios de um óleo que atravessava uma luva que lhe causava desconforto. Desconforto causado por um conjunto de coisas, além da luva e do óleo, um calor abafado. Um calor que dava vontade de rasgar aquela camiseta pólo grossa, vontade de se livrar daqueles bicos de aço que lhe causavam dores, aqueles óculos que suavam e embaçavam em seu rosto. Desapertou a gola, mas o que lhe sufocava não eram, de fato, aquelas coisas, era a vida. Ou melhor, a não vida. Olhou ao redor com desprezo pela cor, aquela mistura de cinza com amarelo dava uma cor que não se sabe qual é. Logo ele, tão apaixonado pelas cores. Lembrou que há muito tempo não via o azul do entardecer, já nem lembrava muito de como era. Só lembrava daquele cinza amarelado ou do Amarelo acinzentado... - Professor, me abraça! E voltou... E olhou pro céu. Era um lindo entardecer. Quente, agradável. Com a brisa soprando as árvores da praça. Entre seus dedos, cabelos. Estava calor, mas era outro calor.


 
 
 

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