Adhemar... Fé em Deus e Pé na Tábua!
- 22 de ago. de 2016
- 3 min de leitura

Donizete de Souza é escritor e jornalista do Jornal Em Rede com a Noticia da cidade de São Bernardo do Campo.
O livro do advogado e jornalista Amilton Lovato , 368 páginas, editado pela Geração é mais uma dessas obras que vem jogar luz sobre a história contemporânea dos políticos brasileiros, com a singularidade de destacar um personagem, que, ainda hoje, é lembrada pelo folclore político: Adhemar de Barros e a sua famosa “caixinha”.
E é exclusivamente essa questão que corrobora sobremaneira o pensamento de Karl Marx em 18 do Brumario de Luis Bonaparte, onde destaca que a história acontece por assim dizer duas vezes: a primeira vez como farsa e a segunda como tragédia.
Alguns ficarão se entender essa colocação. Mas até a leitura do trecho a seguir:
“Mas a caixinha, longe de constituir uma lenda, era real e se consolidou, tornando-se organizadíssima, na melhor tradição brasileira. Baseava-se numa taxa, cobrada dos fornecedores de bens dos empreiteiros que realizavam obras públicas para o estado e para as prefeituras administradas por elementos do partido. Feito o pagamento era dado um recibo por conta de doação de campanha pelo fundo da agremiação partidária.”

Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência, revela o cerne da pratica da política brasileira ao longo de décadas, até ecoar nos escabrosos casos do Mensalão e do Petrolão que abalam a República. Se a caixinha de Adhemar de Barros era a farsa da política transformada em escambo, em politicalha; o mesmo corre com o Mensalão e o Petrolão que se transformam nos dias atuais na tragédia que sacode a política nacional.
Mas voltando ao nosso caso, pela pesquisa e nas palavras de Amilton Lovato se desvenda o temperamento do homem que foi deputado estadual, prefeito da Capital e três vezes governador de São Paulo, empregando as práticas populistas e clientelistas.
Também foi um conspirador-mor do Golpe de 1964 que levou os militares ao poder.
A leitura é interessante a medida que também revela o emaranhado de partidos políticos que lutavam única e exclusivamente pelo poder.
Foi um político que deu valor ao Marketing político e sempre se utilizava das técnicas para divulgar sua figura e ampliar sue poder sobre o Estado de São Paulo.
Para quem busca lógica na política brasileira a leitura é indispensável, principalmente ao demonstrar que a plataforma ideológica dos partidos existia apenas na época pré-eleitoral e eleitoral, e que terminadas as eleições, nos anos subsequentes o que mandava na verdade eram os interesses e a política de sobrevivência. Assim inimigos do passado viravam amigos no presente. Amigos de hoje eram rifados. O famoso vale tudo que estamos cansados de assistiu diuturnamente nas terras tupiniquins.
Mas o homem que foi estigmatizado com a famosa frase “rouba, mas faz”, na tentativa de defesa de um amigo, também deixou um legado de realizações, como o Hospital das Clinicas, Incor, Via Anchieta, Anhanguera e por ai vai. Foi ele também quem idealizou a transferência da sede do governo paulista do Palacete dos Campos Elíseos para o atual Palácio dos Bandeirantes, depois de desapropriar a construção parada da família Matarazzo.
Sem denegrir a imagem do homem, o jornalista fala de seus casos extraconjugais até o mais tórrido de todos, que passou para a história como “Dr. Ruy”, na verdade Ana Caplione, a suam “Marquesa de Santos”, uma vez que a exemplo da primeira ingeria no governo, nomeava afilhados e protegidos e demitia funcionários, secretários que a desagradassem ou ao seus, Foi a única que o fez separar-se da mulher Leonor,e com ela viajou mundo afora depois de cassado.
O grande sonho de Adhemar de Barros era chegar à presidência da República, perdeu as eleições que disputou para o cargo e durante as maquinações que culminaram com o Golpe Militar, acreditava que seria o escolhido para dirigir os destinos da Nação em um triunvirato formado por um homem do Executivo (no caso ele), um do STF e um militar. Mas horas após a consolidação, mesmo antes do anúncio, os conspiradores sabiam que o comando da Nação seria entregue ao Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco.
Vendo-se apeado do poder, Adhemar de barros partiu para o embate com os militares provocando um distanciamento. Depois de inúmeras rusgas acabou sendo cassado sob a chancela de “suspensão dos direitos políticos”.
A leitura é interessante e indispensável para todos que tentam entender, compreender a política tupiniquim, e talvez chegar à mesma conclusão de somos herdeiros das décadas de atrasos e de grupos que juram defender os trabalhadores, o povo, mas na verdade se locupletam com o erário público.























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