Benedito Maria sua história de família e Legado - Em três gerações na profissão de Funileiro
- 30 de ago. de 2016
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Em destaque na foto, Benedito Maria, José Maria (Zinho) e neto Raul.
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O legado de uma família é muito importante, temos o senhor Benedito Maria, que é morador na cidade de São Bernardo do Campo, desde a década 50 até os tempos de hoje.
Benedito Maria que em seus primeiros passos já acompanhava o seu pai no aprendizado e afazeres da profissão de funilaria, com apenas 8 anos de idade.
O menino cresceu e com seu esforçou criou sua família e seu legado o acompanha profissionalmente através dos tempos.
Ainda jovem, teve apelido (Ne Grande), hoje na altura de seus 79 anos, sendo morador no Bairro Royal Parque. Ele relata em entrevista com seu filho e neto, a sua história de vida na profissão de funileiro e legado, que vem de seu pai, e hoje chega a seu neto.
Benedito enquanto criança era morador na década de 50 no bairro DER. Hoje um bairro populoso no centro de São Bernardo do Campo, naquela época, o bairro nasceu devido um acampamento para construção da via Anchieta. O pai de Bendito tinha a profissão de funileiro e, em pouca idade, apenas oito anos, o menino Benedito já batia o martelinho nos carros junto com seu pai que o orientava. Naquela época, a cultura era: os filhos mesmo com pouca idade ajudavam em tarefas para colaborar com valores em casa.
Surgiu uma oportunidade em 1958, através de uma empresa na área da funilaria da família Corazza que tinha uma grande oficina, onde Benedito chegou a trabalhar e realizar um serviço. Desmontou um veículo, capô e paralamas de um caminhão Internacional.

Foto histórica da cidade de São Bernardo com veiculos da época
Fez bem, só que precoce com sua pouca idade foi dispensado. Completou 10 anos, desta vez, foi atuar junto aos irmãos Happy, onde os proprietários eram alemães. Em sua nova oportunidade, o menino Benedito desta vez reformou carro da marca Buíque.
Ele conseguiu com a ajuda de outros funcionários peças, como por exemplo, capô. Eram peças pesadas e novamente recuperou mais um veículo. Não permaneceu novamente no emprego, por ser muito novo, e surgia o receio do menino se acidentar. Desta forma ficou trabalhando em oficinas pequenas até alcançar a idade de 17 anos, com a primeira oportunidade em uma empresa grande, esteve na porta da Volkswagen. O senhor Marco Aurélio, aos gritos estava selecionando profissionais lanterneiro, o jovem Benedito foi até lá e se prontificou a realizar o teste, passou e foi contratado.
Trabalhou na Volkswagen, onde atuou por dois anos, foi mandado embora, época difícil e de greves. Passou pela Ford no Ipiranga, Wilians, Acrilex, entre outras empresas, da região do ABC.
Já a caminho em constituir família, chegou a oportunidade da casa própria no Bairro Santa Terezinha em São Bernardo. Era ainda uma vila e na rua, algumas poucas casas. Com grande espaço do terreno, montou a sua funilaria e pintura em uma garagem. Com o trabalho árduo criou os filhos junto a esposa, sua parceira de todas as lutas, a Maria. Ela, para ajudar no orçamento, observando sua sala ampla, a transformou em um refeitório, servindo almoço e janta. Como haviam muitos imigrantes do norte como de mão de obra da construção civil, na construção um novo bairro passaram a se alimentar em sua casa. Já Filhos, a menina Gracinha, ajudava a mãe; os dois filhos homens, Francisco (Chicão) e José Maria (Zinho), ajudavam o pai. Ne Grande orientou e ensinou a eles a profissão. O Chicão aprendeu a pintar veículos e o Zinho a funilaria, batendo o martelo. Curiosamente, Zinho com oito anos já ficava com o pai na Funilaria. Ne Grande, além de passar a profissão para os filhos, ajudou a criar alguns sobrinhos que necessitaram durante momentos difíceis da vida deles, onde foram amparados. Eles também aprenderam a profissão e ajudaram a família, foram educados e tiveram a oportunidade do primeiro trabalho.
O filho Zinho acompanhou o legado do pai que veio da geração do avô.
“Agradeço a meu pai, pois me ensinou a profissão, ele comprou muitos livros para nós. Eu não me incentivei em estudar. Mas sim, trabalhar na oficina de funilaria e pintura”, disse o filho José Maria (Zinho).
Ao passar o bastão, Zinho deu continuidade aos trabalhos, já que seu pai um dia iria chegar à aposentadoria, ele começou a tocar a oficina.
Senhor Benedito com sua esposa Maria decidiram mudar do bairro, que rápido se urbanizou e venderam a propriedade. Mudaram para o bairro Jardim Represa e ficaram bastante tempo por lá, anos após, mudaram para Royal Parque, devido as obras do Rodoanel.
Chicão partiu para outras profissões, já o irmão mais novo Zinho, continuou com legado do pai. Zinho descobriu através dos tempos que, além de reformar os carros, velhos ou novos, descobriu a arte da restauração.
“Os carros antigos, Fusca, karmann Ghia, TL, Variante, Brasilia, Opala em que reformávamos no passado, mal sabíamos que seriam hoje, uma relíquia, e que para mim, cada carro deste que é restaurado hoje, é uma arte”, disse Zinho.
Apesar de muito trabalhador, teve um problema no seu caminho, houve um acidente automobilístico, veio a invalidez, o impedindo de trabalhar.
Com muita experiência, e seu pai Benedito já aposentado , Zinho partiu para inovações na profissão, adquiriu experiência com veículos antigos em restaurações. Chegou a propor sociedade nos afazeres desta área, onde percebia que em pouco tempo receberia bons valores monetários. Ao mesmo tempo em que passou a experiência do trabalho ao sócio e planejando que ganhariam valores juntos, a ambição na questão de valores da entrada de dinheiro, por este sócio, infelizmente, ficou acima dos valores de projeto. Não deu certo e Zinho precisou rever novos projetos, junto a sua companheira e esposa de longa data, que sempre esteve junto a ele nas melhores ou difíceis situações. Zinho visualizou potencial no filho Raul, o menino também tinha disposição, onde desde os oito anos ficava a brincar na funilaria e estar junto do pai. Raul adulto se tornou experiente na área de funilaria e pintura, onde recebeu conselhos do avô. Raul tem um filho e quer também um dia passar no futuro o bastão do conhecimento da profissão para ele. O profissional Raul que já teve oficina, acredita hoje na restauração.
Restaurando os carros e realizando os sonhos de muitos.
“O primeiro carro foi uma veraneio, e vieram vários outros, os antigos que estão sendo recuperados através da arte é nosso caminho”, diz Zinho.
Zinho ao lado de seu pai Benedito e seu Filho Raul, afirma.
“Para mim, devemos gostar do que se faz. Eu aposto na arte da restauração e sei que posso através da experiência que adquiri com meu pai eu já passo para meu filho Raul”.
Ele explica as técnicas de trabalho
“De primeiro, na época de meu pai, trabalhava com Carboreto, veio o oxigênio e agora a solda Mig. Importante que só trabalhamos no estanho, com a solda final, um trabalho de excelência com carros que as vezes estão condenados”.
Ele afirma
“Temos que gostar do que faz profissionalmente, colocar Deus á frente e ter fé. Se esforçar na busca de aprimorar o trabalho”, disse Zinho.
Raul aos26 anos, agora sente que é sua a vez, busca o legado deles, uma espécie de genética. Vem dos anos 50 a tradição, bisavô que passa para o avô Benedito e depois ao seu pai Zinho. Agora a vez é da “Restaurarte Auto Custon Design.
“Hoje temos clientes que nos procuram pelas postagens das fotos no Facebook. As fotos chamam a atenção. Temos clientes também de outros estados que nos procuram e outros que nos indicam. Pegamos os carros velhos e os transformamos em veículos novos, restaurados, novinhos e que agrada o cliente, realização de um sonho”, concluiu Zinho.
Uma bela estória a do Benedito Maria que hoje com os filhos, netos e bisnetos, ainda encontra um tempo para passar suas experiências na arte da funilaria e agora o legado que fica para o Raul com orientação e apoio de seu pai Zinho, que com a tradição seguem em frente.
Restauração é com a Restaurarte Auto Desgni!
Restauração de um dos veiculos da marca Maverick






























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