Sorriso pedagógico
- 15 de out. de 2016
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Imagem artística Dênis Pinho
Quando cheguei pra trabalhar em uma escola municipal os colegas professores foram logo dizendo: “Não sorria para as crianças”. Foi o que mais fiz, sorri. Depois descobri que essa é uma máxima entre professores, não sorrir para as crianças. Isso tem algum fundamento, as crianças estão sempre nos testando, principalmente quando tem adulto novo no ambiente. E se elas trazem alguma bagagem de permissividade em casa vão logo testando se o educador é uma extensão de seus pais. Um sorriso pode significar frouxidão, amizade descabida, entre outras coisas que significam muito mais para o adulto do que para a criança. Não sorria. Como lhe dar com isso se é no momento com as crianças que surgem os sorrisos mais espontâneos e sinceros? Mas eu entendi o recado, só não abandonei o sorriso. Percebi que muitas crianças se aproximavam mais de m im pelo meu sorriso e era isso que eu queria, as crianças próximas de mim. Mesmo sabendo que no momento certo eu iria brigar e não era pouco. Mesmo sabendo que em certas situações não haveria flexibilidade no trato com o grupo, que uma certa rigidez seria presente na nossa relação, que o “não” estaria sempre presente. Eu não abandonei o sorriso. Não abandonei essa ponte que existia em mim. Percebi que tinha três caminhos, dois fáceis e um difícil e, claro, o difícil é sempre o mais satisfatório. Um dos caminhos fáceis seria o do autoritarismo, ser chato sempre pra impor respeito, sempre me dirigir às crianças com a voz alta. O outro seria ser sempre o legal, o permissivo, aquele que sempre diz “sim”. Nenhum desses caminhos me agradavam, em qualquer um deles eu seria injusto com as crianças e seria apen as um profissional cumprindo (ou não) o seu papel. Escolhi me aproximar das crianças, desenvolver, até certo ponto, uma amizade. Conferir-lhes autonomia sabendo que teria um trabalho constante pra definir a linha que separava a liberdade delas e minha responsabilidade em lhes garantir segurança. E fui feliz.
É interessante que com os adolescentes a lógica inverte um pouco, não muito. Depois de um convívio, reparei que a gente se aproxima mais quando fazemos eles rirem. De uma forma ou de outra, é o poder do sorriso nas relações.
E assim percebemos que, enquanto educadores, somos eternos aprendizes e que a educação é essa relação de aprendizagem mutua onde nenhum dos lados possui o monopólio do conhecimento, nem da razão. Ilustração: Denis Pinho Contato: denis.o.p@bol.com.br Instagram: @denis.pinho























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